Este edublog foi gestado para que possamos dialogar, refletir e partilhar saberes sobre a EJA e a educaçao em geral, trazendo ainda temas como: leitura , gênero e educação, escrita, análise do discurso etc. Desafio lançado: realizar um educação à luz das relações de gênero e seus desdobramentos. Vamos começar a produção e socialização... Ideias na cabeça e teclado na mão...
quinta-feira, 24 de agosto de 2017
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Nosso dia -15 de outubro!!!!

Caros colegas,
No dia do professor(a) ninguém melhor que o saudoso educador Paulo Freire para nos fazer lembrar da implicância contida na luta dos que educa numa concepção libertadora e desejante de mudanças e intervenções capazes de transformar a nós e aos outros.
Mais um dia 15 de outubro para uma categoria que forma a todos e todas nas mais diversas profissões, mas que vem sofrendo o desprestígio, a violência institucional que precariza nosso trabalho, além da violência simbólica e física que muitos são submetidos conforme temos lido na impressa escrita e televisiva do país.
Mudar este quadro é um dever e uma tarefa de todos e todas nós!!!!
Assim se pronuncia Freire (1997, p.151-154) quanto a esta tarefa política, intelectual e emocional do educador(a).
A tarefa do ensinante, que é também aprendiz, sendo prazerosa é igualmente exigente. Exigente de seriedade, de preparo científico, de preparo físico, emocional, afetivo. É uma tarefa que requer de quem com ela se compromete um gosto especial de querer bem não só aos outros, mas ao próprio processo que ela implica. É impossível ensinar sem essa coragem de querer bem, sem a valentia dos que insistem mil vezes antes de uma desistência.
É impossível ensinar sem a capacidade forjada, inventada, bem cuidada de amar. É preciso ousar, no sentido pleno desta palavra...
É preciso ousar para dizer, cientificamente e não blá-blá-blantemente, que estudamos, aprendemos, ensinamos, conhecemos com o nosso corpo inteiro. Com os sentimentos, com as emoções, com os desejos, com os medos, com as dúvidas, com a paixão e também com a razão crítica. Jamais com, esta apenas.
É preciso ousar para jamais dicotomizar o cognitivo do emocional. É preciso ousar para ficar ou permanecer ensinando por longo tempo nas condições que conhecemos, mal pagos, desrespeitados e resistindo ao risco de cair vencidos pelo cinismo.
Parabéns por existirmos e resistirmos!!!
Abraços militantes e esperançosos!!!!
Ana Lúcia Gomes.
Salvador, 15.10.10.
Referência
FREIRE, Paulo. Professor sim, tia não. 16. ed. Olho d’Água.
São Paulo:1997, 127 p.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Centenário do dia internacional da Mulher

Olá pessoal , e especial todas as mulheres, negras, brancas, idosas, índias, meninas, moças e adolescentes,
Estamos festejando neste 08 de março 100 anos do dia internacional da mulher, cujo significado se reflete nas marcas, nos corpos, nas roupas, nos estilos, nas profissões, na ciência, nas artes, na educação , na construção civil, enfim, em tantos espaços gendrados, racializados em que nos embrenhamos para dizer nossa palvra, realizar nossas ações, nos revestir de garra, coragem e combater todas as formas de violência contra as mulheres, (re)inventando-nos a cada dia para que gestemos novos humanos e tenhamos cada vez mais mulheres e homens explicitando as relações de equidade de gênero em prol de uma sociedada mais sã em todos os sentidos.
A tod@as, nosso desejo de ver cada Mulher a cada dia mais valorizada, visibilizada,respeitada, amada e parceira.
Para desfrutaramos dessa reflexão brindo este dia de leitura com o texto de Salete, codelista de qualidade.
Lugar de Mulher
Do ponto onde me encontro
Na janela dum sobrado
Daqui donde me defronto
Com meu presente e passado
Fico metendo a colher
Do ‘meu lugar de mulher’
Neste mundão desgarrado
Do meu ângulo obtuso
Num canto da camarinha
Afrouxo um parafuso
Liberto uma andorinha
Desmancho uma estrutura
Arranco uma fechadura
Desmonto uma ladainha
Reza a história do mundo
Que mulher tem seu lugar
É um discurso ‘corcundo’
E prenhe de bla-bla-blá
Eu que ando em toda parte
Divulgo através da arte
Outro modo de pensar:
Lugar de mulher é quarto
Sala, bodega e avião
Lugar de mulher é mato
Cidade, praia e sertão
Lugar de mulher é zona
Do Estado do Arizona
À Vitória de Santo Antão
Lugar de mulher é sauna
Capela, bonde, motel
Lugar de mulher é fauna
Terreiro, campus, quartel
Lugar de mulher é casa
Seja na Faixa de Gaza
Ou no Morro do Borel
Lugar de mulher é cama
Seresta, parque, novena
Lugar de mulher é lama
Escola, laje, cinema
Lugar de mulher é ninho
Dos becos do Pelourinho
Às águas de Ipanema
Lugar de mulher é roça
Riacho, circo, cozinha
Lugar de mulher é bossa
Reisado, feira, lapinha
Lugar de mulher é chão
Das ruelas do Sudão
Às veredas da Serrinha
Lugar de mulher é mangue
Deserto, vila, mansão
Lugar de mulher é gangue
Novela, birô, oitão
Lugar de mulher é mar
Das praias do Canadá
Ao céu do Cazaquistão
Lugar de mulher é ponte
Trincheira, jardim, salão
Lugar de mulher é fonte
Indústria, baile, fogão
Lugar de mulher é mina
Do solo de Teresina
Ao Morro do Alemão
Lugar de mulher é barro
Palco, metrô e altar
Lugar de mulher é carro
Camarote, rede, bar
Lugar de mulher é trem
Dos caminhos de Belém
À serra do Quicuncá
Lugar de mulher é show
Favela, brejo e poder
Lugar de mulher é gol
Ringue, desfile e lazer
Lugar de mulher é creche
Das bandas de Marrakech
Às vilas do ABC
Lugar de mulher é serra
Obra, beco e parlamento
Lugar de mulher é guerra
Missa, teatro e convento
Lugar de mulher é pia
Das tendas de Andaluzia
À Santana do Livramento
Lugar de mulher é tudo
Por onde possa passar
Seja pequeno ou graúdo
Seja daqui ou de lá
Lugar de mulher é Terra
Mas não onde o gato enterra
O que precisa ocultar
Lugar de mulher é dentro
Mas também pode ser fora
Lugar de mulher é centro
Que a margem não ignora
Lugar de mulher é leste
Norte, sul, também oeste
De noite, tarde e aurora
De minha perspectiva
Mulher não tem ‘um lugar'
Onde quer que sobreviva
Pode ser seu habitat
Lugares existem zil
Eu mesma sou do Brasil
E vivo no Ceará!
Marcadores: 8 de março, Gênero
www.cordelirando.blogspot.com
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Convite aos educadores (as)
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
2010 iniciando....

Caros(as) amigos(as), Bem-vind@s a 2010.
Que possamos tecer mais textos, partilhar experiências,vivenciar melhores dias na nossa profissão de educador(a).
Comecemos partilhando o texto de Rubem Alves...
Basta o essencial!
Rubem Alves.
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. ( calma, não é bem assim!)
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, roí o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral ou semelhante bobagem, seja ela qual for.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.
Basta o essencial!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Convite para o blog ...
Recado para os alunos (as ) da EJA

Caros(as) alun@s da EJA,
Sejam muito bem-vindos e vindas ao nosso edublog. Ele foi gestado com muito prazer, atenção e especial carinho para que nele possamos tecer coletivamente saberes, dizeres, experiências...
Estou aguardando os comentários de cada um de vocês das diferentes UP da FTC EAD.
Abraços carinhosos,
Ana Lúcia.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Mais um Natal na roda viva da vida...
Mais uma ano está findando-se e muitos de nós tivemos perdas, choros, alegrias, renovações. Perdemos nosso colega amigo , solidário, e um profissional comprometido e apaixonado pelo seu trabalho. Estou falando do nosso amigo e companheiro João Assis, professor de Matemática da FTC EAD, nosso grande parceiro.
Este texto é uma homenagem a ele....
Mais um Natal....na roda viva da vida
Ana Lúcia Gomes da Silva [1]
O ano de 2009?????!!! Passou célere e não nos apercebemos, pois a correria diária para produzirmos nossas existências, não nos deixou saborear os melhores momentos da natureza, da casa dos nossos pais, dos nossos amigos e colegas, não nos permitiu realizar as visitas idealizadas, os passeios planejados, enfim, muito do que gostarímos de fazer se resumiu em trabalhar, trabalhar, pagar contas, suar, correr de um lado para outro em diversas empresas, a fim de ter um salário melhor, trocar de carro, pagar mais impostos, seguros, enfrentar engarrafamentos diários, envelhecer precocemente e ir ao salão para melhorar a aparência, cobrir os cabelos brancos, rejuvenescer mais um pouco.
Então, estarrecidos nos damos conta que se aproxima mais um natal, mais um período de reflexão, mais uma chance de (re)encontros, de vivenciar o embalo dos cânticos, a magia das luzes, das decorações nos lares, nas lojas, na cidade. Neste momento natalino, confirmamos tristes e chorosos, que faltam alguns amigos, parentes, conhecidos, que se foram... ou para o outro lado da vida, ou mudaram de cidade e deles nos afastamos.
Nesse instante, percebemos que nossa correria é vã, que poderíamos ter aproveitado melhor cada dia, que nosso parente , nosso amigo(a), não estão mais aqui entre nós; não mais os abraçaremos, ouvirems seus falares e risos.
Mais um natal chegando; é hora de voltamos a prometer a nós mesmos que em 2010 será diferente.
Trabalharemos menos, mas viveremos mais , aproveitaremos cada momento, cada familiar , cada amigo... faremos os passeios e as visitas prometidas e adiadas. Seremos mais solidários, faremos mais preces, dormiremos melhor, enfim , aprenderemos a viver com menos, tendo muito mais. Sim, tendo mais calma, mais alegrias, mais saúde, mais tempo. Tempo, este que nos fez parar por alguns segundos para elaborar este texto, para refletir o sentido de cada natal em nosas vidas. Em nossa Academia Jacobinense de Letras, que terá o prmeiro natal sem nosa querida companhiera Alcira, menos um em nosso círculo de amizade, mas o nosso carinho, a nossa gratidão, o nosso maor transcendem e a acompanhan neste e noutros natais, de encontros , de saudades..
É mais um convite do mestre Jesus para aprendermos a vivenciar natais cotidianamente e nos perguntarmos: Aprendemos? Teremos mais um ano de chances? Aproveitaremos essas chances? O que realizaremos em 2010 de ações que não são visibilizadas, não são avaliadas quantitativamente apenas?
É hora de mais ‘um balanço’ de nossas ações, do nosso encontro com nossos anjos, medos, demônios interiores. É hora de sermos corajosos e admitirmos as falhas, a não transformação de informações em conhecimento.
Enfim, é hora de aprender, de crescer não apenas intelectualmente, de não sermos mais um número, mais um na multidão que célere deixa a vida passar ‘entre os dedos’ e como eu, se espanta. Já está chegando o natal???? Não é possível, natal foi ontem. E será sempre ‘ontem, se não fizermos ele exsitir cotidinamente em cada um de nós....
Confesso que sou apaixonada pelo natal e seu brilho, sua magia, sua energia que emanna nos ambientes, nas lojas, mas em especial nas famílias e nos encontros, nos abraços e aconchegos, nas preces e na celebração da vida.
Oxalá dê tempo de ressignificarmos nosos natais, pois como nos diz tão sabiamente o educador da esperança, nosso saudoso Paulo Freire [...]“Gosto de ser gente porque a história em que me faço com os outros e de cuja leitura tomo parte, é um tempo de possibilidade e não de determinismo”. (FREIRE, 2001,p. 48)
Acreditando que estamos nesse tempo de possibilidades, comecemos, ou melhor(re)comecemos nossa (re)existência pautando a vida em valores mais perenes....
[1] Professora Adjunta da Universidade do Estado da Bhia(UNEB) .
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Leitura e políticas públicas
Olá,
Espero que sempre passem por aqui para dialogarmos e ler a nós e ao mundo com "olhos de farol" , como nos convida Nanci Nóbrega.
Vamos ler....
Ana Lúcia Gomes da Silva *
"Ler os muitos discursos de mundo, a organização pública, o traçado das cidades, as civilizações diversas, [...] a paisagem do campo, o relacionamento dos homens, implica uma aguda consciência de estar no mundo e interagir com ele”. (Eliana Yunes, 1998).
"Ler os muitos discursos de mundo, a organização pública, o traçado das cidades, as civilizações diversas, [...] a paisagem do campo, o relacionamento dos homens, implica uma aguda consciência de estar no mundo e interagir com ele”. (Eliana Yunes, 1998).
Inicio minha fala transformando a afirmativa do título do texto da professora Simone Nogueira (2007), em questionamento: Qual a importância do livro na Brasil do século XXI? Sem dúvida estamos num século marcado pelo desenvolvimento tecnológico, pela crescente discussão acerca do respeito às diferenças, pelo apelo ao cuidado com o outro, pela eqüidade de gênero, entre outras demandas sociais. Uma delas é a constante luta dos vários segmentos sociais por políticas públicas para formação de leitoras e leitores. E qual o lugar, o olhar, dado ao livro, a biblioteca, a formação de leitores e aos profissionais da educação?
Há lugares, olhares, cuidados, sensibilidades para com estes elementos, crucias e fundantes para a sociedade? Dizer que não há nenhum olhar, seria fatalismo, mas, por outro lado, os olhares, são tão tímidos, que de imediato denunciam a ínfima importância dada a cada um desses elementos citados pelos gestores públicos de nosso país e do nosso estado.
Segundo Nogueira (2007, p.1) “Existem políticas públicas que incentivam a leitura e o acesso ao livro, como o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), que desenvolve ações que pretendem assegurar o acesso ao livro e á leitura a todos os brasileiros e brasileiras[1], visando formar uma sociedade de cidadãos leitores.” A própria autora concorda que é preciso fazer mais para que a democratização do acesso ao livro seja de fato uma realidade que atinja a um contingente maior, cada vez maior, de leitores e leitoras.
Como poderemos falar de maior participação social pela leitura, se segundo Bagno (1999), os sujeitos excluídos da leitura são os mesmos que não possuem moradia, salário digno, direito à saúde e educação de qualidade? Como ampliar este acesso se não desenvolvermos políticas públicas que garantam e, portanto, assegure o acesso ao livro e á leitura?
Para Nogueira (2007, p. 1), “o livro é um insumo necessário na construção do conhecimento, é o livro, independente do gênero, ou mesmo dos suportes escolhidos – hoje pode ser até virtual- possibilidade surgida neste século - o leitor que se aproximar de um livro e se apropriar de seu teor enveredará pelo universo da literatura, e, considerando o alto índice do analfabetismo funcional, o livro representa um recurso imprescindível para que se chegue a superação desse problema”.
Os exemplos de que temos conhecimento em todo o Brasil revelam e comprovam que o livro é encantador e possui magia. São exemplos dessa magia, a Borracharia que se transformou em biblioteca numa cidade mineira, a biblioteca no ponto de ônibus em Brasília, a biblioteca formada embaixo da ponte pelos catadores de papel na capital paulista, esses são alguns dos promissores e mágicos exemplos do poder de transformação que a leitura imprime. Exemplos menores, mas não menos importantes tivemos no nosso Departamento de Ciências Humanas - campus IV UNEB/ Jacobina através da disciplina Estágio Supervisionado, da qual era coordenadora, cujo curso de extensão no cárcere, promoveu a formação de leitores/as e os registros dos depoimentos de duas encarceradas participantes do referido curso, encontram-se no relatório de gestão da reitoria da UNEB como projetos de ações afirmativas realizados na gestão de 1998-2005.
Temos ainda o exemplo do projeto de extensão da professora Eleusa Câmara da UESB de Vitória da Conquista, desenvolvido no cárcere e que se transformou na sua dissertação de mestrado. Exemplos como estes, nos dão à dimensão do que as políticas públicas seriam capazes de realizar de forma efetiva em todo país, se o olhar e o lugar dado ao livro, à biblioteca e formação de alunos e professores leitores fosse a prioridade em qualquer gestão pública ou privada.
Como elevar o nível intelectual da população sem a educação, sem a leitura e, portanto, sem o estudo? As competências requeridas pelo leitor autônomo, fazem parte das habilidades complexas acionadas no ato de ler, tais como: localização de informação, inferências, pressuposições, argumentação, enfim, construção de sentidos com o material lido, quer escrito, quer imagético, cinematográfico, fotográfico, etc. como nos diz Affonso Romano de Sannt’Ana (2001)[2], “tudo é leitura, tudo é decifração. Ou não. Depende de quem lê”. Numa sociedade letrada, saber ler e escrever, saber utilizar a leitura e escrita como práticas sociais concretas são necessidades tidas como primordiais, tanto para resolver questões do cotidiano, como para exercer o direito à cidadania. Isso implica para Mortatti (2007, p.6), que “ler e escrever é, para o ser humano, necessidade tão essencial como comer, morar e amar”. Diante dessa real necessidade parece no mínimo paradoxal que continuemos com índices tão perversos de analfabetismo, bem como de analfabetismo funcional.
Como vimos no 16º Congresso de Leitura do Brasil, - COLE , realizado em Campinas no período de 10 a 13 de julho de 2007,a partir da afirmação de Ferreira Gullar, “no mundo há muitas armadilhas e é preciso quebrá-las”. Vivemos, pois, rodeados de armadilhas. São bibliotecas públicas escassas e sem a devida infra-estrutura, são docentes que não são leitores, gestores que desconhecem ou fingem desconhecer o papel social da leitura, do livro e das bibliotecas; são escolas devolvendo para o mercado de trabalho jovens analfabetos funcionais; são os números oficiais declinando sempre quanto ao desempenho de nossos alunos e alunas no PISA, no ENEM, no SAEB e em tantos outros instrumentos oficias de avaliação que analisam a leitura e escrita dos jovens brasileiros; são os direitos dos trabalhadores desrespeitados no Congresso Nacional a exemplo da proposta já votada no Congresso para a extinção do 13º , da licença maternidade, entre tantas outras armadilhas da linguagem que sequer são lidas, sequer nos indignamos e passamos a reivindicar nossos direitos .
Vamos de fato usar a nossa leitura dos fatos, dos dados estatísticos e fazer da nossa voz uma polifonia que em rede de solidariedade possa reverter o quadro de não-leitores no nosso estado, nossa cidade, nosso país.
Não é sem intencionalidade, ironia e forte teor político que Guiomar Grammont, (1999,p.1), afirma :
Ler devia ser proibido [...] acorda os homens/mulheres[3] para as realidades impossíveis, tornando-os/as incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. [...] A criança que ler poderá tornar-se um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzindo a crer que tudo pode ser de outra forma.
E com certeza a realidade pode ser de outras e outras formas, outros contornos e possibilidades, pois o poder advindo da leitura é transformador, desestruturante, inebriador, revolucionário, demasiadamente político, intencional, e traz sentidos plurais.
A leitura não é apenas um ato escolar, mas cultural e político, que exige de cada profissional a compreensão dos fundamentos, finalidades e tratamento didático, que o ensino da leitura requer. Por isso todas as disciplinas têm a responsabilidade de utilizar/analisar diversos gêneros textuais que circulam socialmente (desde os textos escritos, aos cinematográficos, pictóricos, corporais, musicais, etc), cabendo a disciplina Língua Portuguesa fazê-lo de modo sistemático.
Devemos instrumentalizar nossos alunos/as propiciando – não uma instrumentalização desprovida de crítica e descontextualizada, mas essencialmente interdisciplinar.
Tudo se dá com, na e pela leitura. Ela agudiza o senso crítico, faz perceber a ideologia subjacente aos textos veiculados socialmente. Faz interagir intelectualmente com discursos elaborados dentro de regras específicas com sintaxe, léxico, e universo de referências próprias. A leitura implica tensão, desacordo, não-linearidade, debate, diálogo, mudanças, humildade, pois às vezes não adentramos em certos textos, necessitamos voltar a outras leituras para depois retomar aquela que nos pareceu impossível compreender.
A despeito desse quadro tão perverso, há outros dados sobre a formação de leitores que nos move, e por isso mesmo, como militante esperançosa, não poderia deixar de lembrar do educador da esperança que militou nobremente pela educação e, portanto, a favor da vida, afirmando: “não posso continuar sendo humano, se faço desaparecer em mim a esperança [...] mudar é difícil, mas é possível”. (FREIRE, 2002, p.88)
Convido, pois, a todos/todas para que leiamos com todos os poros, olhares, corpos.....E escrevamos novos textos em novos contextos.
Muito obrigada!!!!
* Professora da UNEB/ Campus IV/ Jacobina.
Salvador , 26.09.07
Referências:
BAGNO, Preconceito Lingüístico: o que é como se faz. São Paulo: Loyola, 1999.
FREIRE, Paulo. Pedagogia de esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006.
GRAMONT. Guiomar. A formação do leitor: pontos de vista. RJ: Argus, 1999.
SANTANA, Affonso Romano. Ler o mundo. Disponível em leiabrasil.com.br.Acesso em 10 de março 2001.
MORTATTI, Maria do Rosário Longo. Quatro leituras do nosso mundo (e das armadilhas e contradições). Jornal da UNICAMP. Ano XXI, nº 364, julho de 2007. Campinas, São Paulo. p. 6.
NOGUEIRA, Simone do Nascimento. A importância do livro no Brasil do século XXI. Jornal Bolando Aula - apoio didático aos professores das séries iniciais do ensino fundamental. Ano 11, nº 79, fevereiro de 2007. Santos, São Paulo.p.12.
[1] Grifo nosso
[2] Cf. Ler o mundo. Disponível em leiabrasil.com.br.Acesso em março 2001.
[3] Grifo nosso para leitora na epígrafe e mulheres na citação de Guiomar. Para cf. ler A formação do leitor: pontos de vista. RJ: Argus, 1999.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Ler é o melhor remédio???

“Gosto de ser gente porque a história em que me faço com os outros e de cuja leitura tomo parte, é um tempo de possibilidade e não de determinismo”. (FREIRE, 2001.)
Olá colegas e amigos,
Olá colegas e amigos,
Vamos continuar lendo, relendo, revendoe ressignificando nossos conceitos e fazeres, para que como nos convida Manoel de Barros, possamos "transver a realidade".
Francirene Gripp de Oliveira
(Vinte Lições)
Ler
É o melhor remédio.
Leia jornal
Leia outdoor
Leia letreiros da estação de trem
Leia os preços no supermercado
Leia alguém.
Ler
É a maior comédia
Leia etiquetas jeans
Leia histórias em quadrinhos
Leia a continha do bar
Leia a bula de remédio
A página do ano passado, perdida no canto da pia, enrolando chuchus.
Leia
Livrinhos de santos
Orações para as almas
Carteira de motorista
Receita de torta
Os muros pichados
Leia
Livrinhos de santos
Orações para as almas
Carteira de motorista
Receita de torta
Os muros pichados
Leia
A Branca-de-Neve
Catálogo telefônico
O bilhete do pivete no ônibus
A conta de luz
O Manual do Contribuinte.
Leia,
O poema do seu colega
O pedido de grana emprestada
A sua reprovação
A carta de amor
O recado da faxineira
O plano monetário do ano.
Leia
A vida...
Os olhos, as mãos
Os lábios e os desejos das pessoas.
A interação que ocorre ou não
Entre física, geografia, informática
(Vinte Lições)
Ler
É o melhor remédio.
Leia jornal
Leia outdoor
Leia letreiros da estação de trem
Leia os preços no supermercado
Leia alguém.
Ler
É a maior comédia
Leia etiquetas jeans
Leia histórias em quadrinhos
Leia a continha do bar
Leia a bula de remédio
A página do ano passado, perdida no canto da pia, enrolando chuchus.
Leia
Livrinhos de santos
Orações para as almas
Carteira de motorista
Receita de torta
Os muros pichados
Leia
Livrinhos de santos
Orações para as almas
Carteira de motorista
Receita de torta
Os muros pichados
Leia
A Branca-de-Neve
Catálogo telefônico
O bilhete do pivete no ônibus
A conta de luz
O Manual do Contribuinte.
Leia,
O poema do seu colega
O pedido de grana emprestada
A sua reprovação
A carta de amor
O recado da faxineira
O plano monetário do ano.
Leia
A vida...
Os olhos, as mãos
Os lábios e os desejos das pessoas.
A interação que ocorre ou não
Entre física, geografia, informática
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Vídeo sobre leitura...
Olá,
Vamos compartilhar ideias sobre leitura e vida...
Assistam ao vídeo e boas reflexões...
Abraços,
Ana Lúcia
Vamos compartilhar ideias sobre leitura e vida...
Assistam ao vídeo e boas reflexões...
Abraços,
Ana Lúcia
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Uso das tecnologias a favor do aprendizado...

Olá pessoal,
Sem dúvida a inserção das tecnologias tem sido a tônica para ampliarmos o acesso ao saber, otimizar a comunicação e a produção do conhecimento. Entretanto, seu uso deve ser mediado a partir das ações humanas criativas, produtivas e colaborativas. Concordo com Freire quando diz: "Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão"
( Paulo Freire ,2000,p. 45).
O nosso pensar e fazer criativamente elaborados são de fato, a verdadeira "mola propulsora" - a nossa maior riqueza. Usar a tecnologia para ampliar conhecimentos, pesquisar, partilhar saberes, deve ser centrado no que Freire denominou de ação-reflexão. Mediados pelas multimídias poderemos inovar, enriquecer, problemtaizar nossas aulas, mas se o nosso fazer não for condizente com uma metodologia investigativa, o uso das tecnologias de comunicação e informação (TIC), será apenas 'instrumentalizador', e a dialogia se perderá, a criatividade e a produção serão apenas repetição, reprodução e uso das tecnologias pela tecnologia, que não fará com que a comunicação se transforme efetivamente em conhecimento.
O gênero textual "charge" é um rico recurso para leituras produtivas, colaborativas, criativas e problematizadoras...
Eis, uma charge sobre o uso das tecnologias para realizarmos um exercício de leitura coletivamente tecido a partir da mediação da própria tecnologia - nesse espaço virtual do edublog.
Convite feito, vamos à ação!!
http://revistaescola.abril.com.br/edicoes-impressas/223.shtml

Abraços,
Ana Lúcia
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Que o dia comece...

Olá pessoal,
Que o dia comece palpitante, povoado de ideias, fazeres que se desdobram em projetos de leitura, de comunicação em rede, na luta contra qualquer tipo de discriminação...
Que o dia comece doce, sereno, pulsando em nós esperanças revitalizadoras...
Que o dia comece apontando o fim : da guerra, da fome, da falta de moradia, de segurança...
Que o dia comece fazendo-nos mais humanos e solidários....
Comecemos nosso dia povoando em nós, a poesia, o encanto, a fé e o desejo que nos move, que nos 'alimenta' e nos faz crentes na mudança social, educacional, política, econômica...
Bom-Dia!!!!
Abraços esperançosos!!!
Ana Lúcia
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Textos, livros e leituras... semeando palavras

Estou realmente feliz por encontrar a cada dia novas mensagens no meu edublog de EJA. Mensagens estas, que me encantam, emocionam, e de fato me impulsionam a continuar aprendendo, escrevendo e propagando idéias nas quias tanto acredito.
A cada dia estamos lendo, ouvindo, experienciando, o quanto nossa educação continua negligenciada e desprestigiada.Todos esses fatores muito nos toca, nos aflinge e também nos faz ficar mais indignados...
Vamos então fortalecer nossas ações educativas nos diversos espaços de aprendizagem e continuar lutando para que o profissional da educação seja valorizado, bem pago, respeitado e acima de tudo, privilegiado pela função tão primordial que realiza cotidianamente: educar mulheres e homens deste país, desta Bahia, reacendendo sonhos e esperanças, revitalizando vidas, conhecimentos, provcando tensões, deslocaments, fazendo-os lerem os fatos e as notícias criticamente.
Convidar cada um/a para que criticamente também possam perceber o poder da linguagem, da leitura , do livro, e continar semeando em terras inférteis, para transformar esta semeadura em ações produtivas, busando novas sementes, acreditando nos frutos futuros e descbrindo que leitores e leitoras têm sido formados e vão surgindo lentamente, como um ‘despertar’ de flores nos jardins humanos, como luzes na obscuridade da realidade perversa de exclusão dos bens e usufrutos culturais.
Temos muita sede. Sede de livros, de leitura, de bibliootecas públicas equipadas, de salas de leitura, revistas diversas, poemas, canções, sede de música, de cores, de artes, de cinema, enfim, sede de vida que pulsa, que dinamiza ações, que move e nos comove...
Daí, é que percebemos o quanto o autor Pablo Gentilli
É claro que a crise global atinge a escola e nos convida a “educar na esperança em tempos de desencanto”, como afirma de forma tão procedente e lúcida o autor Pablo Gentilli, (2001) no título de um dos seus livros sobre a educação brasileira.
Ora, se a crise se instala na escola, traz tantas outras crises no seu bojo; entre elas, a que considero mais perversa e gritante: a crise da leitura e da escrita em todas as áreas do conhecimento.
É por isso que, devemos assumir que ensinar a ler e escrever é tarefa de todas as áreas, sendo, portanto, um compromisso da escola, do currículo e de todos os professores/as e demais segmentos que compõem a escola, o que se torna cada vez mais, um desafio a ser vencido em pleno século XXI, em que a circulação de informações e de acesso a ela tem sido extremamente ampla, mas não está ainda, garantindo a formação de leitores/a.
A primeira pergunta é: O que seria ler e escrever nas diferentes áreas do currículo escolar? Como articular um trabalho sistematizado, criterioso e continuando em todas as áreas do conhecimento? Como garantir que todos os professores/as assumam para si a responsabilidade de formar leitores/as? São sobre essas questões que convido cada colega cada aluno, cada leitor/a, a pensar nesta manhã ‘baianamente’ ensolarada e ‘politcamente tão maltratada’.
Este texto é um desabafo , uma reflexão, uma prova de amor ao livro, ao leitor, à biblioteca, à educação, uma provocação para cada um de nós, militantes da leitura, do livro e da biblioteca , fazedores de idéias, construtores de sonhos, de textos que queremos ver ricamente tecidos na conjuntura social: o grande texto coletivo da igualdade social, do empoderamento de mulheres e homens, de fartura nas mesas, de moradias decentes
Queremos visualizar agora, já um tempo em que negros, índios , velhos, encarcerados, homessexuais , possam se expressar e fazer valer o legado freirano: “dizerem a sua palavra e serem mais, cada vez mais..” Mais amados, mais respeitados nas suas histórias de vida e suas singularidades, nas suas diferenças e crenças .
Eu vos convido a tecerem comigo este texto coletivo em rede de solidariedade humana e escrevermos, portanto, novas narrativas, não mais as grandes metanarrativas , mas as narrativas gestadas por cada mulher, cada homem, cada índio, cada idoso, cada criança deste país, país este, que queremos ver com taxa ZERO de analfabetismo.
Salvador, 15.09.2009 (no dia do professor(a)....)
Esta é a minha homenagem a cada educador(a).
Profª Ana Lúcia Gomes da Silva
Notas:
[1] GENTILLI, Pablo e Chico Alencar Cf. para maior aprofundamento In: Educar na esperança em tempos de desencanto. São Paulo: Vozes, 2001.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Analfabetismo no Brasil: Quando teremos a taxa ZERO???

Olá, estou mais uma vez aqui para socializar conhecimento...
Vamos saber mais sobre o analfabetismo no Brasil ???!!!!!
Dados da última pesquisa realizada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007 , foram divulgados nesta terça-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que, nos últimos 14 anos, a taxa de analfabetismo no Brasil foi reduzida em 7,2% , com redução média de cerca de 0,5 ponto percentual ao ano.
Saiba mais...
Segundo o Ipea: 14 milhões de jovens no Brasil são considerados pobres.Entretanto, de acordo com o diretor do Instituto, Jorge Abrahão, esta redução ainda é baixa em relação aos países desenvolvidos que, na sua maioria, já erradicaram o analfabetismo.
É importante que haja redução, mas o índice ainda é muito pequeno. Ele demonstra o fracasso educacional do passado. Temos que ficar atentos para que o sistema educacional de hoje não gere conflitos. Não basta corrigir só o passado, acrescentou o diretor.
A pesquisa demonstra ainda que, coube à região Nordeste a maior redução (0,8%) da taxa de analfabetismo. No entanto esta região ainda apresenta um índice que é o dobro da média brasileira, situando-se em 20%, e bastante acima das taxas no Sul-Sudeste, que não ultrapassam os 6%.
Para a localização, observa-se que no meio rural 23,3% de sua população é analfabeto. Já na área urbana/metropolitana este índice é de 4,4%, que se mantém estável desde 2006.
Os dados revelam também números bastante expressivos quando se leva em consideração os quesitos localização e raça/cor. A concentração de analfabetos na população negra (14,1%) é mais que o dobro da concentração na população branca (6,1%).
No Brasil como um todo, cerca de 90% dos analfabetos estão na faixa etária de 25 anos ou mais, sendo que a maior concentração, em números absolutos e relativos, recai sobre os idosos. Segundo a pesquisa, em 2007, a taxa de analfabetismo na faixa etária de 15 a 17 anos era de 1,7%, entre os jovens de 18 a 24 anos (2,4%), e entre o grupo de 25 a 29 anos de 4,4%. Já entre as pessoas com mais de 40 anos, este índice era de 17,2%. EscolarizaçãoOutro indicador educacional que revela avanços em relação a 2006 é a taxa de escolarização, por faixa etárias. As crianças de 0 a 3 anos foram as que tiveram maior índice absoluto, 1,7%. Para as crianças de 4 a 6 anos, continua a ampliação da escolarização (1,6%) em relação a 2006. Na população de 7 a 14, houve um decréscimo de 0,1%. Entre os jovens de 15 a 17 anos, também houve a mesma redução.De acordo com a pesquisa, a taxa de escolarização pode refletir aspectos positivos e negativos. Até a idade de 14 anos, quanto maior for o índice, melhor é. Mas, a partir daí, uma taxa elevada pode encobrir altos índices de distorção idade-série.
Fonte: Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=6566> Acesso em 09.10.09.
TV Globo: Estudo revela que analfabetismo no Brasil ainda é grande(07/10/2009 - 10:26)
Jornal Nacional
APRESENTADOR WILLIAM BONNER: Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu que o nível de escolaridade dos brasileiros está subindo em um ritmo menor do que deveria.
APRESENTADORA FÁTIMA BERNARDES: E o analfabetismo ainda é um problema grande.
REPÓRTER: Dona Georgete chega com os netos à escola,a mesma onde ela também estuda desde o ano passado, quando entrou pela primeira vez em uma sala de aula.
DONA DE CASA/ GEORGETE DOS SANTOS: Foo muito bom para mim, porque eu ficava constrangida, queria ler uma coisa, não conseguia.
REPÓRTER: Hoje há 14 milhões de brasileiros com mais de 15 anos que não sabem ler nem escrever. Segundo os pesquisadores, o número de pessoas analfabetas vem caindo, mas muito lentamente. Se o ritmo dos últimos anos for mantido, o país vai precisar de mais duas décadas para acabar com o problema, que é maior entre os que têm mais de 40 anos (16,9%) e entre negros (13,6%) do que entre brancos (6,2%). Na comparação da região Nordeste com a Sudeste também há diferenças. DIRETOR DE ESTUDOS SOCIAIS DO Ipea/ JORGE ABRAHÃO: O número mostra que a ação de combate ao analfabetismo das políticas públicas deixa a desejar , uma vez que a queda do analfabetismo não está ocorrendo de uma forma mais veloz.REPÓRTER: Mas houve avanços. O estudo aponta que o acesso à escola melhorou, embora ainda seja alto o número de alunos que não concluem o ensino fundamental.Segundo os pesquisadores, é preciso aumentar a média do tempo de estudo dos brasileiros, que hoje é de pouco mais de sete anos. O número vem crescendo, mas ainda é insuficiente para concluir o ensino fundamental. E quando comparamos a média entre os mais ricos e os mais pobres percebemos como há desafios a vencer. Dona Eufrásia Augusta de Assis faz em casa os exercícios da escola que ela passou a frequentar. Ainda tem dificuldades para ler, mas já reconhece que tem pela frente um mundo novo.
APOSENTADA/ AUFRÁSIA AUGUSTA DE ASSIS: Eu antigamente não era um terço do que sou agora.
Acesse o vídeo
Fonte: Disponível em:
<http://www.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=12464.Acesso em 09.out.09.
É importante que haja redução, mas o índice ainda é muito pequeno. Ele demonstra o fracasso educacional do passado. Temos que ficar atentos para que o sistema educacional de hoje não gere conflitos. Não basta corrigir só o passado, acrescentou o diretor.
A pesquisa demonstra ainda que, coube à região Nordeste a maior redução (0,8%) da taxa de analfabetismo. No entanto esta região ainda apresenta um índice que é o dobro da média brasileira, situando-se em 20%, e bastante acima das taxas no Sul-Sudeste, que não ultrapassam os 6%.
Para a localização, observa-se que no meio rural 23,3% de sua população é analfabeto. Já na área urbana/metropolitana este índice é de 4,4%, que se mantém estável desde 2006.
Os dados revelam também números bastante expressivos quando se leva em consideração os quesitos localização e raça/cor. A concentração de analfabetos na população negra (14,1%) é mais que o dobro da concentração na população branca (6,1%).
No Brasil como um todo, cerca de 90% dos analfabetos estão na faixa etária de 25 anos ou mais, sendo que a maior concentração, em números absolutos e relativos, recai sobre os idosos. Segundo a pesquisa, em 2007, a taxa de analfabetismo na faixa etária de 15 a 17 anos era de 1,7%, entre os jovens de 18 a 24 anos (2,4%), e entre o grupo de 25 a 29 anos de 4,4%. Já entre as pessoas com mais de 40 anos, este índice era de 17,2%. EscolarizaçãoOutro indicador educacional que revela avanços em relação a 2006 é a taxa de escolarização, por faixa etárias. As crianças de 0 a 3 anos foram as que tiveram maior índice absoluto, 1,7%. Para as crianças de 4 a 6 anos, continua a ampliação da escolarização (1,6%) em relação a 2006. Na população de 7 a 14, houve um decréscimo de 0,1%. Entre os jovens de 15 a 17 anos, também houve a mesma redução.De acordo com a pesquisa, a taxa de escolarização pode refletir aspectos positivos e negativos. Até a idade de 14 anos, quanto maior for o índice, melhor é. Mas, a partir daí, uma taxa elevada pode encobrir altos índices de distorção idade-série.
Fonte: Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=6566> Acesso em 09.10.09.
TV Globo: Estudo revela que analfabetismo no Brasil ainda é grande(07/10/2009 - 10:26)
Jornal Nacional
APRESENTADOR WILLIAM BONNER: Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu que o nível de escolaridade dos brasileiros está subindo em um ritmo menor do que deveria.
APRESENTADORA FÁTIMA BERNARDES: E o analfabetismo ainda é um problema grande.
REPÓRTER: Dona Georgete chega com os netos à escola,a mesma onde ela também estuda desde o ano passado, quando entrou pela primeira vez em uma sala de aula.
DONA DE CASA/ GEORGETE DOS SANTOS: Foo muito bom para mim, porque eu ficava constrangida, queria ler uma coisa, não conseguia.
REPÓRTER: Hoje há 14 milhões de brasileiros com mais de 15 anos que não sabem ler nem escrever. Segundo os pesquisadores, o número de pessoas analfabetas vem caindo, mas muito lentamente. Se o ritmo dos últimos anos for mantido, o país vai precisar de mais duas décadas para acabar com o problema, que é maior entre os que têm mais de 40 anos (16,9%) e entre negros (13,6%) do que entre brancos (6,2%). Na comparação da região Nordeste com a Sudeste também há diferenças. DIRETOR DE ESTUDOS SOCIAIS DO Ipea/ JORGE ABRAHÃO: O número mostra que a ação de combate ao analfabetismo das políticas públicas deixa a desejar , uma vez que a queda do analfabetismo não está ocorrendo de uma forma mais veloz.REPÓRTER: Mas houve avanços. O estudo aponta que o acesso à escola melhorou, embora ainda seja alto o número de alunos que não concluem o ensino fundamental.Segundo os pesquisadores, é preciso aumentar a média do tempo de estudo dos brasileiros, que hoje é de pouco mais de sete anos. O número vem crescendo, mas ainda é insuficiente para concluir o ensino fundamental. E quando comparamos a média entre os mais ricos e os mais pobres percebemos como há desafios a vencer. Dona Eufrásia Augusta de Assis faz em casa os exercícios da escola que ela passou a frequentar. Ainda tem dificuldades para ler, mas já reconhece que tem pela frente um mundo novo.
APOSENTADA/ AUFRÁSIA AUGUSTA DE ASSIS: Eu antigamente não era um terço do que sou agora.
Acesse o vídeo
Fonte: Disponível em:
<http://www.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=12464.Acesso em 09.out.09.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Texto - Presa pela borboleta

Olá pessoal,
Vamos realizar antecipações de leitura ????
Pelo título do texto você diria que o mesmo fala de quê???!!!
Presa pela borboleta
Ana Lúcia Gomes da Silva *
Como nos diz com sapiência Affonso Romano de Sannt’Ana (2001)[1], “tudo é leitura, tudo é decifração. Ou não. Depende de quem lê”. E foi lendo cotidianamente o caos, os olhares, as caras e bocas, os corpos, os rostos anônimos ou não, que me dei conta, como que por um choque, e que choque, que estava literalmente impedida de dar sequer mais um passo adiante.
Estava presa, acorrentada, fragilizada, corpo tenso, disciplinado, esmagado, imóvel e sem perspectiva de saída daquela situação vexatória, dolorida, vergonhosa, a qual era submetida. Presa pela borboleta. Incrível, uma borboleta?!
Sim, a borboleta do ônibus, a catraca. Não tinha espaço algum para colocar o pé, pé não, o dedo, um mínimo de matéria corporeificada para passar além da borboleta. Fiquei então ali, suspensa de mim, experienciando o dissabor do caos, da falta de qualidade, de decência, de humanidade e tantos outros vocábulos que tão bem caracterizariam o transporte coletivo de Salvador - cidade bela, mágica, com sons e gingados mil. Também com cores e nuances que foram perfilando-se à minha frente numa leitura com cores densas, fortes, misturadas aos rostos abatidos, corpos espremidos, braços tensos e rijos segurando com força os suportes das poltronas, dos canos de ferro que se estendem ao alto,no teto do ônibus, enquanto a solidariedade vai se fazendo presente silenciosamente e em rede. Tomam nossas bolsas, livros, quaisquer outros apetrechos e colocam em seus colos.
Quem? Os que tiveram o privilégio de encontrar um lugar vago para sentarem-se.
Os corpos rijos, retos, espremidos dos que estão em pé, vão sendo sacolejados a cada curva, freio, parada...É dolorido chegar ao destino. Parece uma missão impossível. Mas teimosamente, heroicamente chegamos: mulheres, homens, idosos, crianças...
Questiono: que tal nos indignarmos juntamente com todos que têm fome de justiça social, tratamento digno, transporte de qualidade, confortável e com preço acessível? Por que essa situação perdura?!!!
É preciso deixar ecoar nossas vozes, fazer valer nossos direitos, dar visibilidade a cada ser humano que cotidianamente, faz a Bahia “ melhor”, mais “feliz”, “mais igualitária”. Pra quem? Ás custas de quem?!
Uma professora amiga minha, sai do Saboeiro ( bairro de Salvador localizado após o Cabula), há mais de 18 anos, desce a Paralela e pega o ônibus para dar 40 horas de aula na Ribeira.(professora do ensino fundamental de uma turma de alunos com necessidades especiais) E diz: “vai começar a minha via crucis”. Tombos, esfregões, apertos, odores exalando, náuseas, marmita trepidando nas mãos que tentam segurar a comida, os livros e ainda realizar o malabarismo de corpo para equilibrar-se. Sentar?!!! Nunca registrou esse privilégio nesses longos anos.
Dia após dia, durante quase vinte anos, e ainda não registrou mudanças no transporte coletivo de Salvador. E a volta para casa após o dia inteiro dando aulas?!! Sem comentários!!!!!Não precisamos dizer mais nada. Aliás, precisamos dizer muito MAIS todos os dias. Lendo e relendo o caos, se constrói uma nova ordem, se a tarefa for em rede. Leitura em rede, textos lidos e produzidos em rede, vozes coletivas e visibilizadas, estudantes, professores/as motoristas, passageiros/as, crianças, idosos/as, cada UM/UMA, que forma esse grande texto social tão marcado pelos descuidos de todas as formas, desafetos, desigualdades....
A paráfrase do ditado popular poderá ser real se o quisermos “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, mas se JUNTAR o bicho foge”...Somamos mais de um milhão de pessoas que utilizam diariamente os transportes coletivos de Salvador. Podemos fazer a diferença para modificar esse quadro crônico desolador.
Vamos, pois, ser soltos/as das “borboletas coletivas” que faz de cada dia do baiano/a uma temeridade angustiante e perversa. Demasiadamente perversa.
A leitura certamente será outra: da cidade, dos baianos/as, do transporte, dos empresários/as, dos políticos/as e de todos os segmentos sociais.
Por isso mesmo Guiomar Grammont, ( 1999,p.1), afirma :
Ler devia ser proibido [...] acorda os homens/mulheres[2] para as realidades impossíveis, tornando-os/as incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. [...] A criança que ler poderá tornar-se um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzindo a crer que tudo pode ser de outra forma.
E com certeza a realidade pode ser de outras e outras formas, outros contornos e possibilidades, pois o poder advindo da leitura é transformador, desestruturante, inebriador, revolucionário, demasiadamente político, intencional, e traz sentidos plurais.
Convido a todos/todas para que leiamos, pois, com todos os poros, olhares, corpos.....E escrevamos novos textos em novos contextos.
· Professora UNEB/IV. Doutoranda em Educação pela UFBA.
Salvador, 1/06/06. NOTA- publicado em junho 2006 na revista eletrônica http://www.espiando.com.br/ na coluna de Greice Rago(Na pista do turista).
[1] Cf. Ler o mundo. Disponível em leiabrasil.com.br.Acesso em março 2001.
[2] Grifo nosso para leitora na epígrafe e mulheres na citação de Guiomar. Para cf. ler A formação do leitor: pontos de vista. RJ: Argus, 1999.
Ana Lúcia Gomes da Silva *
Como nos diz com sapiência Affonso Romano de Sannt’Ana (2001)[1], “tudo é leitura, tudo é decifração. Ou não. Depende de quem lê”. E foi lendo cotidianamente o caos, os olhares, as caras e bocas, os corpos, os rostos anônimos ou não, que me dei conta, como que por um choque, e que choque, que estava literalmente impedida de dar sequer mais um passo adiante.
Estava presa, acorrentada, fragilizada, corpo tenso, disciplinado, esmagado, imóvel e sem perspectiva de saída daquela situação vexatória, dolorida, vergonhosa, a qual era submetida. Presa pela borboleta. Incrível, uma borboleta?!
Sim, a borboleta do ônibus, a catraca. Não tinha espaço algum para colocar o pé, pé não, o dedo, um mínimo de matéria corporeificada para passar além da borboleta. Fiquei então ali, suspensa de mim, experienciando o dissabor do caos, da falta de qualidade, de decência, de humanidade e tantos outros vocábulos que tão bem caracterizariam o transporte coletivo de Salvador - cidade bela, mágica, com sons e gingados mil. Também com cores e nuances que foram perfilando-se à minha frente numa leitura com cores densas, fortes, misturadas aos rostos abatidos, corpos espremidos, braços tensos e rijos segurando com força os suportes das poltronas, dos canos de ferro que se estendem ao alto,no teto do ônibus, enquanto a solidariedade vai se fazendo presente silenciosamente e em rede. Tomam nossas bolsas, livros, quaisquer outros apetrechos e colocam em seus colos.
Quem? Os que tiveram o privilégio de encontrar um lugar vago para sentarem-se.
Os corpos rijos, retos, espremidos dos que estão em pé, vão sendo sacolejados a cada curva, freio, parada...É dolorido chegar ao destino. Parece uma missão impossível. Mas teimosamente, heroicamente chegamos: mulheres, homens, idosos, crianças...
Questiono: que tal nos indignarmos juntamente com todos que têm fome de justiça social, tratamento digno, transporte de qualidade, confortável e com preço acessível? Por que essa situação perdura?!!!
É preciso deixar ecoar nossas vozes, fazer valer nossos direitos, dar visibilidade a cada ser humano que cotidianamente, faz a Bahia “ melhor”, mais “feliz”, “mais igualitária”. Pra quem? Ás custas de quem?!
Uma professora amiga minha, sai do Saboeiro ( bairro de Salvador localizado após o Cabula), há mais de 18 anos, desce a Paralela e pega o ônibus para dar 40 horas de aula na Ribeira.(professora do ensino fundamental de uma turma de alunos com necessidades especiais) E diz: “vai começar a minha via crucis”. Tombos, esfregões, apertos, odores exalando, náuseas, marmita trepidando nas mãos que tentam segurar a comida, os livros e ainda realizar o malabarismo de corpo para equilibrar-se. Sentar?!!! Nunca registrou esse privilégio nesses longos anos.
Dia após dia, durante quase vinte anos, e ainda não registrou mudanças no transporte coletivo de Salvador. E a volta para casa após o dia inteiro dando aulas?!! Sem comentários!!!!!Não precisamos dizer mais nada. Aliás, precisamos dizer muito MAIS todos os dias. Lendo e relendo o caos, se constrói uma nova ordem, se a tarefa for em rede. Leitura em rede, textos lidos e produzidos em rede, vozes coletivas e visibilizadas, estudantes, professores/as motoristas, passageiros/as, crianças, idosos/as, cada UM/UMA, que forma esse grande texto social tão marcado pelos descuidos de todas as formas, desafetos, desigualdades....
A paráfrase do ditado popular poderá ser real se o quisermos “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, mas se JUNTAR o bicho foge”...Somamos mais de um milhão de pessoas que utilizam diariamente os transportes coletivos de Salvador. Podemos fazer a diferença para modificar esse quadro crônico desolador.
Vamos, pois, ser soltos/as das “borboletas coletivas” que faz de cada dia do baiano/a uma temeridade angustiante e perversa. Demasiadamente perversa.
A leitura certamente será outra: da cidade, dos baianos/as, do transporte, dos empresários/as, dos políticos/as e de todos os segmentos sociais.
Por isso mesmo Guiomar Grammont, ( 1999,p.1), afirma :
Ler devia ser proibido [...] acorda os homens/mulheres[2] para as realidades impossíveis, tornando-os/as incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. [...] A criança que ler poderá tornar-se um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzindo a crer que tudo pode ser de outra forma.
E com certeza a realidade pode ser de outras e outras formas, outros contornos e possibilidades, pois o poder advindo da leitura é transformador, desestruturante, inebriador, revolucionário, demasiadamente político, intencional, e traz sentidos plurais.
Convido a todos/todas para que leiamos, pois, com todos os poros, olhares, corpos.....E escrevamos novos textos em novos contextos.
· Professora UNEB/IV. Doutoranda em Educação pela UFBA.
Salvador, 1/06/06. NOTA- publicado em junho 2006 na revista eletrônica http://www.espiando.com.br/ na coluna de Greice Rago(Na pista do turista).
[1] Cf. Ler o mundo. Disponível em leiabrasil.com.br.Acesso em março 2001.
[2] Grifo nosso para leitora na epígrafe e mulheres na citação de Guiomar. Para cf. ler A formação do leitor: pontos de vista. RJ: Argus, 1999.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Partilhando texto- Ler devia ser proibido

Olá,
Vamos ler e descobrir o quanto a autora nos convida de forma inusitada a formar leitores e leitoras????
Ler devia ser proibido
Guiomar de Grammon.
Ao pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
Guiomar de Grammon, In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro - Argus, 1999. pgs.71-73.
sábado, 3 de outubro de 2009
Mais leituras no "Tabuleiro das Letras"...
Olá colegas, amig@s, nativos digitais....
Partilho com vocês meu texto sobre "Leitura e escrita" que foi publicado na Revista Eletrônica Tabuleiro das Letras - UNEB .Vejam o link:
http://www.tabuleirodeletras.uneb.br/secun/numero_02/pdf/artigo_vol02_02.pdf
Quero saber sua opinião.Poste aqui seu comentário e ampliemos nossas leituras e construções de sentidos...
Abraços,
Ana Lúcia Gomes
Partilho com vocês meu texto sobre "Leitura e escrita" que foi publicado na Revista Eletrônica Tabuleiro das Letras - UNEB .Vejam o link:
http://www.tabuleirodeletras.uneb.br/secun/numero_02/pdf/artigo_vol02_02.pdf
Quero saber sua opinião.Poste aqui seu comentário e ampliemos nossas leituras e construções de sentidos...
Abraços,
Ana Lúcia Gomes
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Leitura como gênero de 1ª necessidade....

Olá leitores/as,
Partilho com vocês o texto que fiz sobre a importância da leitura e a formação do leitor/a.
Boa leitura!!!
Ana Lúcia
Cesta Básica Cultural: o livro como alimento de primeira necessidade
Ana Lúcia Gomes da Silva *
Ler devia ser proibido [...] acorda os homens/mulheres[1] para as realidades impossíveis, tornando-os/as incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. [...] A criança que lê poderá tornar-se um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzindo a crer que tudo pode ser de outra forma. (Guiomar Grammont, 1999,p.1)
Quem milita na formação de leitores e leitoras não poderia deixar de aplaudir e implicar-se com a decisão do Senado que aprovou nesta terça-feira, dia 07.04.09 a proposta de criação do “Programa Cesta Básica do Livro” de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT- DF). O desafio é tornar realidade um programa dessa natureza, que implica uma concepção de educação voltada para a cidadania e com caráter político que reveste o ato educativo para que formemos leitores e leitoras e tenha um alcance nacional e em rede de solidariedade em todos os níveis da educação.
Não poderia ser mesmo de outro autor, senão de alguém como Cristovam Buarque, que defende de forma pertinente e com conhecimento de causa, o investimento que precisa ser feito na educação em todos os níveis de ensino.
Sempre defendi que livros deveriam ser concebidos como material de primeira necessidade na cesta básica, alimento essencial a crianças, adultos, jovens, idosos que a partir do acesso aos livros podem realizar o que Guiomar Grammont nos convida a fazer na epígrafe que abre este texto: a se inconformar com as desigualdades e barbáries do mundo, com a fome de alimentos e a fome cultural, com a violência de gênero que recrudesce no país e em todo o mundo vitimando de forma perversa mulheres e crianças.
É preciso que acordemos para as realidades possíveis e impossíveis, como sinaliza a autora e nos empoderemos de forma corajosa, coletiva e continuada em prol da formação de leitores e leitoras que a partir de sua leitura e escrita façam de suas vozes e seus textos, sua comunicação com o mundo.
Segundo os PCN, (1998)[2] a educação deve estar comprometida com a cidadania, trabalhando, junto aos alunos, os princípios: dignidade da pessoa, igualdade de direitos, participação e co-responsabilidade pela vida social.
Até quando apenas discursaremos sobre estes princípios sem vê-los tornarem se prática concreta em nosso cotidiano? A dignidade da pessoa humana passa essencialmente pelo acesso aos bens e usufrutos culturais, pelo reconhecimento de direitos, pelo respeito às diferenças e pelo acolhimento ao ser humano. Tudo isso aliada à exigência da co-responsabilidade que é nossa, é coletiva, de educarmos mulheres e homens à luz das relações de gênero, formando leitores e leitoras que implicados passem a modificar o seu entorno. Nesse bojo, os/as educadores e educadoras, pais, tios, tias, bibliotecárias/os, gestores/as públicos, enfim, todos e todas devem lutar em prol da leitura como formação que possibilita desvendar, compreender o mundo e alterar as realidades perversas do analfabetismo, da exclusão, do medo, da intolerância, através de uma educação que emancipe mulheres e homes igualmente.
O Projeto de Lei aprovado prevê a distribuição de dois livros de literatura, artes, ciências e de caráter científico, por bimestre letivo (oito livros ao ano). Claro que é muito pouco, mas o circuito dos gêneros textuais, por exemplo, realizados nas escolas poderão ampliar as leituras, os debates e fomentar a produção de outros gêneros textuais tendo como “mote” os livros lidos. As estratégias são muitas basta que cada escola elabore projetos de leitura e escrita a partir dos livros do referido programa e paulatinamente vá ampliando o acervo.
As ações maiores e com maior alcance nacional deverão ser implementadas a partir de políticas públicas para o livro e a leitura como ação política em prol do livro e da leitura, além da continuada formação dos docentes e demais atores e atrizes socais que cotidianamente constroem a escola.
Não se pode admitir que o porteiro, a merendeira, a faxineira sejam analfabetos dentro da própria escola. Que formação é essa que invisibiliza e exclui diversos profissionais como se todos e todas que fazem a escola não precisassem ser leitor voraz, crítico e autônomo? São essas distorções que precisamos corrigir em programas que sejam realizadas a partir de redes de ensino que incluam as universidades, ONG, instituições de fomento à pesquisa, entre outras, numa circularidade com a escola e seus agentes.
O autor do projeto Cristovam Buarque e relator Marco Maciel (DEM-PE) afirmam que “ o projeto, que é terminativo, segue agora para a Câmara dos Deputados.” A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) afirmou que “o projeto é autorizativo e que teme que ele seja arquivado na Câmara” (2009, p.1)[3] o que nos aponta o descompromisso dos políticos para com a educação. Lembrem-se, políticos eleitos por nós. Ser leitor/a implica saber realizar escolhas de forma crítica, consciente, e o voto é um, dentre tantos instrumentos de poder do cidadão/ã , que deverá estar atento/a aos desdobramentos das votações e encaminhamentos oficiais em torno do referido projeto.
Essa causa é nossa. Impliquemos-nos nela!!!!
* Professora adjunto do campus/ IV/UNEB e membro da Comissão de Estruturação do Sistema de Bibliotecas da UNEB. COM- SISB.
[1] Grifo nosso para leitora na epígrafe e mulheres na citação de Guiomar. Para cf. ler A formação do leitor: Pontos de vista. RJ: Argus, 1999.
[2] BRASIL. Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa. Ensino Fundamental 3º e 4ª ciclos. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto/Ação Educativa, 1998.
[3]Disponível em: http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2009/04/07/comissao-do-senado-aprova-cesta-basica-de-livro-sem-dotacao-orcamentaria-755183530.asp. Acesso em 09 de abril de 2009.
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